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Tatata Pimentel revive na Olavo

Um personagem carismático de uma Porto Alegre efervescente, que se pretendia plural, culta e irreverente – sobretudo, uma cidade aberta à cena contemporânea.

Assim era Tatata Pimentel, apresentador de televisão que se destacava pela inteligência afiada e o humor sarcástico (quem não se lembra do programa Gente da Noite, exibido nas madrugadas da TV COM, a sua última aparição na telinha?).

Culto e debochado, pioneiro na afirmação da diversidade sexual, Roberto Valfredo Bicca Pimentel (seu nome de batismo) se desdobrava em múltiplos talentos, Foi ainda professor – dos bons – de literatura, francês e inglês, além de dono de galeria de arte e diretor do MARGS e do Atelier Livre.

Figura de destaque na história recente da cidade, Tatata foi também um personagem querido e admirado do bairro Santana, em especial na Rua Olavo Bilac, no quarteirão entre a Rua Ignácio Montanha e a Avenida João Pessoa, onde viveu boa parte da vida.

Por décadas, ele morou no apartamento que havia pertencido à sua mãe, dona Zaíra, no segundo andar do edifício Negrinho do Pastoreio, um daqueles prédios antigos que resistem ao tempo e se sobressaem pela simplicidade e a elegância, em meio à paisagem caótica e desbotada da paisagem urbana.

Foi, aliás, ali que faleceu, enquanto dormia o sono dos justos (vítima de um infarto do coração), aos 74 anos de idade, em 2012.

Agora, Tatata está de volta, em grande estilo, em seu próprio território, como homenageado do Café Bar Olavo, prestes a ser inaugurado pelo sobrinho-neto João Henrique Pimentel, na esquina da Olavo Bilac com a Rua Ignácio Montanha.

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Cultura em alta na Cidade Baixa

Fazia tempo que o bairro mais boêmio de Porto Alegre merecia ganhar um centro cultural.

Hoje, quem passar em frente ao número 296 da Rua José do Patrocínio já vai observar o nome Centro Cultural Cidade Baixa escrito na fachada do sobrado. Mas, por enquanto, a casa opera prioritariamente como bar. Assim que a pandemia da covid-19 for superada, deverá abrigar espetáculos de música e teatro, exposições de artes visuais e mostras de filmes, além de ensaios, rodas de conversa, palestras, cursos e oficinas. No pátio externo, a intenção é promover feiras de brechó e artesanato.

— A ideia é resgatar as ações culturais que foram perdidas nos últimos tempos não só por conta da covid-19, mas também pela posição do atual governo brasileiro de desestimular a produção de cultura no País — diz o analista de sistemas Lídio Hermínio Freitas Jr., um dos idealizadores do projeto.

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O anjo do Bom Fim

Pouca gente sabe que, antes de se transformar num dos restaurantes mais populares de Porto Alegre, a loja do nº 1086 da Osvaldo Aranha abrigava uma agência do Banrisul. Quem descobriu o ponto foi Neuro, sobrinho de seu Ivo, fundador da Lancheria do Parque, que, aliás, acaba de ser reaberta após sete meses de fechamento por causa da epidemia da covid-19.

Assim, no dia 9 de maio de 1982, Ivo abriu a Lancheria do Parque, atualmente um patrimônio afetivo dos porto-alegrenses, que agora está de volta ao dia-a-dia da cidade.

— Quase entrei em pânico nessa quarentena. Estou habituado com o público, não consigo ficar sem trabalhar. Dá uma tristeza. Estava com saudade! — diz Ivo José Salton, o seu Ivo, de 68 anos, criador da Lanchera, apelido carinhoso que identifica o restaurante há quase quatro décadas.

Neste ano conturbado de 2020, Ivo cumpriu a quarentena no apartamento em que vive com Inês, localizado exatamente em cima da Lancheria. De vez em quando, entrava no restaurante para acompanhar a reforma promovida para adaptar o espaço às regras de distanciamento social.

— Não consigo ficar longe, é uma vida aqui dentro — diz ele.

Com o retorno das atividades após a quarentena, a ideia é diminuir o ritmo, já que enfrentou problemas de saúde recentemente e, além do mais, faz parte do grupo de risco da covid-19 por causa da idade. Mas Ivo não planeja se aposentar tão cedo. Nem deve, porque nós sentiríamos demais a sua falta.

— O Ivo é um homem de enorme coração e plena bondade, com um profundo conhecimento da alma humana. Ele é um verdadeiro anjo do Bom Fim — diz Antônio Calheiros, o Toninho do Escaler, o lendário bar que, embaixo de jacarandás, na Redenção, também agitou a cena boêmia de Porto Alegre na reta final do século XX.

Por sinal, o Escaler vai virar livro, mas essa é uma outra história, que vai ser contada muito em breve, logo ali adiante.

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Sob nova direção

O mais antigo bar em atividade na Rua João Alfredo está sob nova direção.

Em março de 2003, o Paraphernália entrou em cena como um dos protagonistas da retomada boêmia do bairro, que teria também a participação de estabelecimentos como Nega Frida, Pé Palito e 512, entre outros, ao longo da primeira década do século XXI.

O Paraphernália está passando por reformas, com adaptações na cozinha, troca de azulejos e limpeza de coifas, entre outros ajustes, para reabrir em julho em sintonia com as medidas de restrição impostas pela legislação devido à pandemia da Covid-19. As mudanças não se limitam à estrutura física do boteco:

— Vou mudar o perfil do bar, como já anunciei nas redes sociais. A repercussão da novidade está sendo excelente — relata o produtor cultural Julio Ricardo Rodenstein, que arrendou a casa noturna pelos próximos cinco anos.

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