QUEM ESCREVE

Um arqueólogo das sombras

Escritor e jornalista, Paulo César Teixeira destaca cenários e personagens da história recente de Porto Alegre e, com isso, busca elementos para compreender a transformação da paisagem da cidade.

O livro Esquina Maldita, por exemplo, mostra o gueto boêmio que aglutinou artistas, hippies e ativistas políticos entre as décadas de 1960 e 1970 no Bom Fim. Já Nega Lu – Uma Dama de Barba Malfeita revela a personagem irreverente que antecipou em duas ou três décadas algumas conquistas sociais e comportamentais de negros e homossexuais que só viriam a se consolidar no começo do século 21. E Darcy Alves – Vida nas Cordas do Violão conta a história do cantor e violonista que acompanhava Lupicínio Rodrigues na boemia da capital gaúcha (*).

Como jornalista, Paulo César, o Foguinho, tem textos publicados em Istoé, Veja, Época, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Diário do Sul, entre outros jornais e revistas. Em 2008, ganhou o Prêmio ARI (Associação Riograndense de Imprensa) por A Rua da Margem, reportagem da revista Aplauso que estabelece as afinidades e os contrastes entre a antiga Cidade Baixa – uma área alagadiça ocupada por gente de modesta extração social – e o bairro boêmio do começo do século 21, com seus frequentadores de diferentes origens e identidades culturais. Em 2003, já havia publicado na Aplauso matéria sobre a Cidade Baixa como bairro cult da capital gaúcha.

Conforme Fabrício Silveira, pesquisador da cultura pop e professor da Unisinos (além de morador da Cidade Baixa), os textos do jornalista buscam construir uma "arqueologia das sombras" de Porto Alegre, trazendo à tona figuras e espaços desconhecidos para o grande público. Já para Luiz Alberto Scotto, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, “com a simplicidade e a leveza de seu estilo, Paulo César nos apresenta uma Porto Alegre na qual a noite assume a dimensão reveladora das relações humanas, de personagens e conflitos”. Scotto ressalta ainda que os livros e as reportagens do autor “tratam de promover a cultura urbana gaúcha – muito além do chimarrão, das bombachas e dos floreios na badana que tem pretendido o monopólio da representação cultural do Rio Grande do Sul”.

(*) Os livros foram lançados pela Libretos Editora, respectivamente, em 2015, 2012 e 2010.

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