A despedida do Dinarte

O garçom Dinarte Valentini, figura lendária da noite de Porto Alegre, vai aposentar a bandeja e lançar uma biografia. A data da despedida está marcada para 22 de outubro, quando a estreia de Dinarte como garçom do Bar do Beto completará exatos 26 anos. – A ideia é dar um abraço nos amigos que fiz ao longo desses anos, antecipa a figura lendária da noite de Porto Alegre, que passará a se dedicar exclusivamente à advocacia, profissão na qual já vem atuando desde 2011.

Ele promete que vai ser uma noite de adeus “entre aspas”, já que pretende, sempre que puder, dar uma passadinha no Bar do Beto após sair do escritório para “tomar um chope e reencontrar a turma”. Na noite de confraternização, serão feitas as vendas antecipadas da biografia de Dinarte, a ser lançar em dezembro pelo jornalista Marcello Campos, um dos mais atentos e minuciosos pesquisadores da cena urbana de Porto Alegre.

Os clientes sentirão falta deste que foi um dos mais queridos e populares garçons de Porto Alegre. Nem por isso, deixarão de torcer pelo sucesso do amigo. Seja feliz, Dinarte!

Read More
Eis que chega a Roda Viva

Quando Chico Buarque pisou o palco do Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, para iniciar o espetáculo da turnê Caravanas, na sexta-feira, dia 17 de agosto, estava diante de um público que guarda na ponta da língua o repertório de um dos maiores compositores brasileiros.

Não bastasse a popularidade do artista com mais de meio século de carreira – desde a estreia, em Belo Horizonte, em dezembro do ano passado, Caravanas já foi assistido por mais de 130 mil pessoas no Brasil e em duas cidades de Portugal –, as canções de Chico Buarque vêm sendo continuamente revisitadas e reverenciadas no circuito de teatros, bares e cafés da capital gaúcha.

A banda Roda Viva, que desde 2004 produz um trabalho consistente de tributo à obra de Chico, sempre com casa cheia, é em grande parte responsável por isso. Nos espetáculos, os arranjos originais das gravações são preservados até o limite para que o público possa reconhecer de imediato cada uma das canções.

– As pessoas gostam de ouvir o repertório do Chico do jeito como elas o conheceram. Quando conseguimos copiar, ficamos felizes, mas nem sempre isso é possível. É preciso adaptar arranjos produzidos para grandes orquestras para o formato da banda, ressalta Felipe Bohrer, um dos sete integrantes da Roda Viva.

Além de clássicos bastante conhecidos do grande público, como Roda VivaConstrução e Meu Caro Amigo, o grupo não esquece das amostras do “lado B” de Chico, casos das composições assinadas com o pseudônimo de Julinho da Adelaide para fugir do assédio da censura:

Read More
Cultura no Centro

Rua da Margem mapeou os eventos culturais do centro de Porto Alegre. 
De sarau em livraria ou loja de moda feminina até desafios poéticos em praça pública, passando por shows de música na biblioteca ou nas escadarias do viaduto. Sem falar em peças de teatro em botecos.  A agenda cultural amplia movimento nas ruas, anima territórios e dá mais vida e segurança à área central da cidade.

– Há uma interação positiva nessa onda de opções culturais na região central, diz Fernando Ramos, organizador do FestiPoa Literária, um dos principais eventos de cultura da cidade.

Nani, do Tutti Giorni, vai mais longe, abrindo os braços como se com eles pudesse abarcar toda a área central:

– Quer dar mais vida e segurança ao Centro? É simples: basta permitir que os estabelecimentos possam abrir até mais tarde, sem deixar de fiscalizar quem não se comporta direito. Isso aqui era para estar repleto de bares, cafés, confeitarias, bibliotecas durante a noite... Do jeito como está, as pessoas estão proibidas de sair de casa por falta de segurança.

Em seguida, ele complementa: – Quando o Tutti Giorni está aberto, o pessoal do prédio aqui de cima pode descer com uma cadeira de praia para tomar um mate, porque estará totalmente seguro.  E ainda vai se divertir...

Read More
A primeira galeria da cidade

Marco de um tempo de modernidade, a Galeria Chaves está inscrita na memória afetiva de Porto Alegre. Quase todo mundo tem uma lembrança carinhosa do lugar. Conheça a história da primeira galeria da capital gaúcha, que despontou na paisagem da área central da cidade como uma novidade e tanto, em 1930. A cidade ganhou ares de modernidade com a inauguração do edifício de seis andares com subsolo, no qual o térreo era destinado a lojas refinadas, ao passo que os pavimentos superiores abrigavam apartamentos e consultórios médicos.

Antes de tudo, a boa nova remetia às galerias charmosas e requintadas de metrópoles europeias, como Paris e Milão, ou mesmo de capitais sul-americanas, a exemplo de Buenos Aires.

Curiosamente, embora tenha trazido para a capital do RS um padrão inovador de espaço comercial, a galeria se prendia a um estilo arquitetônico alheio às tendências modernistas que se desenhavam em sua época.

A feição renascentista da galeria é visível na fachada junto à Rua da Praia, na qual um grande portal em arco pleno é ladeado por duas grossas colunas de granito róseo (material extraído das pedreiras do bairro Teresópolis).

Ela está alinhada a outras construções neoclássicas da área central, como o prédio da Companhia Força e Luz (atual Centro Cultural CEEE Erico Verissimo), na Rua da Praia, ou o Paço Municipal, na Praça Montevidéu.

Não bastassem os traços de inovação do espaço comercial, a Galeria Chaves abria um corredor para conectar dois polos nervosos da animada rotina do Centro de Porto Alegre dos anos 1930.

De um lado, o Abrigo de Bondes da Praça XV, para onde convergiam as linhas procedentes de bairros e arrabaldes, e, de outro, a Rua da Praia, que abrigava os principais pontos de sociabilidade dos porto-alegrenses.

Read More
Viagem ao coração da África

Uma história de amor em meio à guerra civil, Comboio de Sal e Açúcar expressa quatro décadas do cineasta Licínio Azevedo em Moçambique. A produção entra em cartaz em 17 cidades brasileiras no dia 7 de junho. No elenco, está o brasileiro Thiago Justino, intérprete do Dr. Jonatas de Orgulho e Paixão, novela da Rede Globo, além de Matamba Joaquim, Melanie de Vales Rafael, António Nipita e Sabina Fonseca. Licínio é atualmente um dos mais premiados cineastas do continente africano. Ele estava com Caco Barcellos no terremoto que matou 26 mil pessoas na Guatemala, na década de 1970 – os jornalistas contaram a história da tragédia nas páginas do Jornal da Tarde. Licínio batizou de Esquina Maldita o gueto boêmio dos jovens politizados de Porto Alegre nos anos 1960 e 1970.

Read More
Música e amizade

Arte e vida inspiram as canções de Chico Chico, filho de Cássia Eller, e João Mantuano, parceiros na banda 13.7, que acaba de lançar Medo, primeiro de uma série de singles com as faixas do CD que sairá no segundo semestre pelo selo Toca Discos – Miguel Dias (baixo), Pedro Fonseca (teclados) e Lucas Videla (percussão) completam a formação.

A 13.7 mistura ritmos como samba e blues com pitadas de rock e MPB, além de enquadrar melodias marcadamente brasileiras em andamentos aparentemente desencaixados, como foxtrot ou jazz cigano, o que resulta numa sonoridade singular.

Na moldura dos acordes, aparecem tramas com paisagens e personagens da cena urbana, tão bela e desarmônica quanto um cartão postal ao avesso.

– Falamos de coisas bonitas e também da sujeira e do caos, que são igualmente belos, aponta Chico.

– As composições traduzem o que a gente é, como se fosse uma identidade, acrescenta João.

Read More
Porto Alegre, maio de 1968