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Tatata Pimentel revive na Olavo

Um personagem carismático de uma Porto Alegre efervescente, que se pretendia plural, culta e irreverente – sobretudo, uma cidade aberta à cena contemporânea.

Assim era Tatata Pimentel, apresentador de televisão que se destacava pela inteligência afiada e o humor sarcástico (quem não se lembra do programa Gente da Noite, exibido nas madrugadas da TV COM, a sua última aparição na telinha?).

Culto e debochado, pioneiro na afirmação da diversidade sexual, Roberto Valfredo Bicca Pimentel (seu nome de batismo) se desdobrava em múltiplos talentos, Foi ainda professor – dos bons – de literatura, francês e inglês, além de dono de galeria de arte e diretor do MARGS e do Atelier Livre.

Figura de destaque na história recente da cidade, Tatata foi também um personagem querido e admirado do bairro Santana, em especial na Rua Olavo Bilac, no quarteirão entre a Rua Ignácio Montanha e a Avenida João Pessoa, onde viveu boa parte da vida.

Por décadas, ele morou no apartamento que havia pertencido à sua mãe, dona Zaíra, no segundo andar do edifício Negrinho do Pastoreio, um daqueles prédios antigos que resistem ao tempo e se sobressaem pela simplicidade e a elegância, em meio à paisagem caótica e desbotada da paisagem urbana.

Foi, aliás, ali que faleceu, enquanto dormia o sono dos justos (vítima de um infarto do coração), aos 74 anos de idade, em 2012.

Agora, Tatata está de volta, em grande estilo, em seu próprio território, como homenageado do Café Bar Olavo, prestes a ser inaugurado pelo sobrinho-neto João Henrique Pimentel, na esquina da Olavo Bilac com a Rua Ignácio Montanha.

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Rua da Praia, mon amour

A Rua da Praia não é só a mais antiga de Porto Alegre. Por muito tempo, ela foi o coração comercial da capital gaúcha. Em tempos natalinos, é bom lembrar esse símbolo de uma belle époque ao Sul do Brasil. O aroma de marcas importadas de perfume inebriava transeuntes nas calçadas e as lojas com roupas, chapéus, joias, cálices de cristal e pratarias acentuavam o glamour e a elegância dos porto-alegrenses.

A princípio, estendia-se da ponta da península até a Rua do Ouvidor, atual General Câmara. Dali em diante tinha o bonito nome de Rua da Graça.

A denominação atual, Rua dos Andradas, foi dada pela Câmara Municipal em 1865 em comemoração aos 40 anos da Independência do Brasil – homenagem a José Bonifácio Andrada e Silva, o patriarca da emancipação de Portugal, e seus irmãos Martim Francisco e Antônio Carlos.

Território aristocrático no qual se instalaram comerciantes, autoridades e famílias endinheiradas, não surpreende que tenha sido uma das primeiras vias a receber melhorias urbanas, tais como calçamento, chafariz para abastecimento de água, limpeza, policiamento, coleta de lixo e iluminação de candeeiro a óleo de peixe.

A princípio, estendia-se da ponta da península até a Rua do Ouvidor, atual General Câmara. Dali em diante tinha o bonito nome de Rua da Graça.

A denominação atual, Rua dos Andradas, foi dada pela Câmara Municipal em 1865 em comemoração aos 40 anos da Independência do Brasil – homenagem a José Bonifácio Andrada e Silva, o patriarca da emancipação de Portugal, e seus irmãos Martim Francisco e Antônio Carlos.

Território aristocrático no qual se instalaram comerciantes, autoridades e famílias endinheiradas, não surpreende que tenha sido uma das primeiras vias a receber melhorias urbanas, tais como calçamento, chafariz para abastecimento de água, limpeza, policiamento, coleta de lixo e iluminação de candeeiro a óleo de peixe.

Hoje, ao longo de seu percurso estão localizados pontos de referência da cidade, como Igreja das Dores, Casa de Cultura Mario Quintana, Museu Hipólito da Costa, Centro Cultural CEEE e Galerias Chaves e Malcon, sem falar na Praça da Alfândega e na Esquina Democrática, o que não é novidade:

– Desde a chegada dos açorianos, tudo acontecia em volta da Rua da Praia, observa Rafael Guimaraens, autor de Rua da Praia – Um Passeio no Tempo (Libretos, 2010).

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