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Marcas das boas causas

Num mundo polarizado e de discursos exaltados, é de se supor que as empresas tivessem receio de tomar posições e, com isso, desagradar aos consumidores. Mas, como dizia o poeta, a vida é real e de viés – está acontecendo o contrário. Uma parcela cada vez maior de marcas se arrisca a se posicionar frente a temas espinhosos, que estão na ordem do dia.

Um exemplo é a Profana, marca de roupas e acessórios femininos, com produção própria e duas lojas em Porto Alegre – na Cidade Baixa e na Galeria Chaves, no Centro Histórico. De uns tempos para cá, temas como feminismo, diversidade sexual, sustentabilidade ambiental e moda consciente estão cada vez mais presentes não apenas nas mensagens divulgadas em suas plataformas nas redes sociais, mas também nas estampas das peças expostas nas vitrines.

As empresas não adotam esse posicionamento por acaso. Pesquisas recentes mostram que marcas engajadas – aquelas que levantam bandeiras ou apoiam causas sociais – encontram boa acolhida junto aos consumidores.

Conforme levantamento da Edelman Earned Brand, divulgado em novembro de 2018, 69% dos brasileiros estão dispostos a comprar ou boicotar produtos em virtude da posição da marca em relação a temas que consideram relevantes – resultado que soma 13 pontos percentuais acima do registrado em pesquisa do ano anterior. 

“A nova geração de consumidores digitais aprendeu com o mundo online a contestar paradigmas, reforçando a necessidade de responsabilidade social na era das redes sociais”, avaliou estudo do Ipsos Global Reputation Center, segundo o qual 82% dos consumidores do Brasil se mostram favoráveis a marcas que contribuam para causas sociais.

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Moda e feminismo

Leila Diniz grávida de biquíni na praia de Ipanema, em 1971, com a barriga apontando para um Brasil tão ou mais conservador do que este que, atualmente, ostenta a quinta maior taxa de feminicídios do mundo, com uma mulher assassinada a cada duas horas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ou Madonna cantando Express Yourself durante a turnê Blond Ambition, no início dos anos 1990, com músculos à mostra por baixo de um corset com sutiã em forma de cone, dando ares de insubmissão a uma peça que, usada por baixo de anáguas e vestidos, por muito tempo representou um símbolo de feminilidade dócil, além de ferramenta para moldar o corpo feminino mediante aperto e marcação da cintura.

O que moda tem a ver com feminismo? Existe moda feminista? A moda pode ser um instrumento de expressão e luta da mulher? E qual é a contribuição das grifes dirigidas por mulheres nisso tudo?

Esses são alguns dos temas que estarão em debate na Conversa de Rua, evento aberto ao público que será realizado durante a 2ª Festa Jardim Profana, no sábado dia 23/3, a partir das cinco horas da tarde. O encontro acontece no sobrado que abriga a Loja Profana, na Rua Lima e Silva, 552, na Cidade Baixa. A iniciativa é do Rua da Margem, com mediação do jornalista Paulo César Teixeira, editor do portal, e participação de Joanna Burigo, Jajá Menegotto e Lu Trento.

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Delicadas e subversivas

Reconfiguradas, as peças feitas à mão por avós e bisavós ganham espaço no mercado como expressão de arte e engajamento feminista. Confere lá no Rua da Margem!

Os modelos artesanais conferem identidade – ainda que existam peças parecidas, elas nunca serão 100% iguais, ao contrário da produção em série da indústria.

Outro fator que contribui para ampliar o espaço é a acolhida junto ao público do conceito de consumo consciente, principalmente no mundo da moda.

– Hoje em dia, cada vez mais pessoas querem saber a procedência daquilo que estão comprando, diz a publicitária Luísa Padilha, da Alma Velas Naturais, que produz velas feitas de cera de soja, óleo de coco e essências como alecrim e lavanda, que dão aroma ao produto.

– As antigas bordadeiras talvez tenham sido as primeiras feministas, diverte-se Juliana Macedo, da Canoa, empresa que promove oficinas e workshops para transmitir o conhecimento das antigas comadres com um olhar contemporâneo. Em seguida, ela conclui: – Tudo o que queremos é trabalhar a destreza dos dedos, a combinação de texturas e materiais e o senso estético para criar coisas lindas com as próprias mãos e, assim, aprofundar a relação com o nosso ser.

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