ReOlhar Porto Alegre

Plataforma Mapeando POA conecta pessoas a espaços, projetos e experiências na capital gaúcha

 Foto: Reprodução

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"Por quê voltar para Porto Alegre?"

É a frase que não saía dos ouvidos de Fernanda, Amora, Raquel e Renata, amigas que estavam de volta à cidade natal depois de um longo tempo morando fora, cada uma com seus motivos. Após um café, as quatro mulheres que a sincronia do retorno juntou e o olhar aberto mobilizou chegaram a uma conclusão:

– Precisávamos fazer alguma coisa, porque a cidade que estávamos enxergando já não era a mesma das pessoas que conversavam com a gente, lembra Fernanda Carvalho, a Fê.

Nascia, assim, o Mapeando POA, plataforma lançada em novembro passado, que oferece um amplo mapeamento em PDF de 55 páginas recheadas de espaços e eventos para movimentar a vida de quem mora na capital gaúcha. Para acessá-lo, basta entrar na página e indicar o e-mail para que seja enviado o link para download.

O portal disponibiliza ainda uma newsletter com tudo que acontece na cidade durante o final de semana, que igualmente é enviada para a caixa postal do internauta – as atrações são atualizadas sempre às quintas-feiras. Com isso, cada um pode montar seu próprio roteiro, escolhendo as melhores opções para trabalhar, curtir, aprender e visitar. Para completar, o portal apresenta reportagens sobre projetos e lugares de destaque.

Assim, o Mapeando POA se propõe a construir "pontes entre as pessoas e Porto Alegre”, listando as atividades criativas e os endereços culturais da capital gaúcha, além de oferecer uma agenda que estimula a descoberta de novos roteiros e mais convivência fora de casa. O objetivo é “criar uma rede capaz de promover conexões entre quem produz, quem consome e quem quer aproveitar mais o lugar onde mora”, de acordo com as palavras com que o site se apresenta ao público.

UM OLHAR ESTRANGEIRO

Sem dúvida, o período que as coordenadoras da plataforma viveram fora de casa ajudou a criar um olhar diferenciado, capaz de descobrir novidades:

– Quem mora há mais tempo ou sempre morou aqui entra numa zona de conforto ao frequentar sempre os mesmo espaços, constata Amora Marzulo.

Elas perceberam que havia pouca divulgação a respeito de espaços e ações da cena cultural e criativa de Porto Alegre. Mais que isso, notaram que o discurso exaustivamente repetido de que nada de interessante está programado acaba criando uma verdadeira cortina de fumaça, que esconde as iniciativas relevantes que estão, de fato, acontecendo aqui e agora.

– Surgiu uma vontade grande de mostrar que existe, sim, muita coisa legal para fazer em Porto Alegre, diz Amora.

A plataforma existe para recuperar a autoestima dos porto-alegrenses, dando o suporte para que as pessoas consigam se envolver com o território e se sintam motivadas a fazer as coisas acontecerem aqui.
— Fê Carvalho
 Renata, Fernanda, Amora e Raquel, criadoras do  Mapeando POA  (Foto Ricardo Lage/Divulgação)

Renata, Fernanda, Amora e Raquel, criadoras do Mapeando POA (Foto Ricardo Lage/Divulgação)

empreendedorismo cultural

O olhar multifacetado que se observa na plataforma tem a ver com a diferente formação da equipe de coordenação.

Fernanda é formada em Relações Públicas e concluiu MBA em Estratégia e Ciências do Consumo na ESPM/RJ. No Rio, também deu aulas sobre pesquisa de consumo e coolhunting (na ESPM e no IED). 

A jornalista Amora trabalhou em projetos desenvolvidos para grandes marcas, além de atuar em escritórios de pesquisa e tendência (Box1824, WGSN e Talk Inc.) e agências de publicidade (DM9DDB, BETC São Paulo, LiveAD e W3Haus), tendo vivido em São Paulo por seis anos.

Já Renata Fratton tem as roupas e suas histórias como profissão e hobby. Formada pela UCS, fez o master Mode et Creation na Lumière Lyon 2, na França, mestrado em Processos e Manifestações Culturais na Feevale e agora está cursando o doutorado em História na PUCRS. 

Por fim, Raquel Chamis se formou em Direito e fez mestrado em Ciência Política na UFRGS, além de passar por cursos de arte e educação. Escreve sobre moda, comportamento e cultura para VogueGlamour e Vista, além de conteúdos de marca. Passou uma temporada na capital paulista, antes de voltar para o Sul.

Desde que foi lançado, o projeto cresceu como uma planta no concreto do ceticismo em relação à cidade. E algumas percepções já se firmaram no pouco tempo que está no ar. Uma delas é a de que o potencial criativo das pessoas que promovem as iniciativas destacadas é o principal combustível do Mapeando POA, o que motiva as meninas a planejar futuras ações:

– Queremos criar eventos que estimulem a conexão entre as pessoas e diálogos que ajudem a desenvolver ainda mais esse potencial, afirma Fernanda.

:Desse modo, a plataforma se propõe a ser num futuro próximo um veículo de articulação da cena de empreendedorismo cultural. Vida longa ao Mapeando POA!

Luisa Rosa