Porto Alegre, maio de 1968

Como os protestos que marcaram época em Paris afetaram a vida dos jovens rebeldes da capital gaúcha

 Passeata de estudantes do Colégio Júlio de Castilhos agita Porto Alegre em junho de 1968 (Foto do livro  Condições Ideais para o Amor   –   Poemas, Manifestos e Correspondência de um Poeta-Guerrilheiro , de Luiz Eurico Lisbôa, com organização de Antônio Hohlfeldt, publicado pelo Instituto Estadual do Livro e a Editora Sulina/Reprodução de Tânia Meinerz)

Passeata de estudantes do Colégio Júlio de Castilhos agita Porto Alegre em junho de 1968 (Foto do livro Condições Ideais para o Amor – Poemas, Manifestos e Correspondência de um Poeta-Guerrilheiro, de Luiz Eurico Lisbôa, com organização de Antônio Hohlfeldt, publicado pelo Instituto Estadual do Livro e a Editora Sulina/Reprodução de Tânia Meinerz)

Em maio de 1968, manifestações estudantis violentamente reprimidas pela polícia em Paris desencadearam uma onda de protestos em todo o mundo.

Hoje, é possível constatar que a marcha de acontecimentos de 50 anos atrás revolucionou as ideias políticas e os padrões de comportamento não só daquela geração, mas das que viriam a seguir.

Rua da Margem conversou com alguns dos jovens porto-alegrenses da época, que contam a seguir suas experiências de maio de 1968.

Franjas do partido

No início de 1968, aos 18 anos de idade, Emílio Chagas ingressou no Colégio Júlio de Castilhos e, rapidamente, foi cooptado pela política.

O Julinho era a escola em que atuavam as lideranças mais combativas do movimento estudantil em Porto Alegre.

Entre elas, Luiz Eurico Lisbôa, o Ico, irmão do cantor e compositor Nei Lisboa, que seria expulso do colégio por conta da atividade política. Condenado pela Justiça Militar em 1969, Ico optaria por uma vida clandestina até ser assassinado pelas forças de segurança do regime militar aos 24 anos de idade, em 1972.

Outra liderança destacada, Jorge Alberto Basso, o Jorginho, improvisava discursos veementes no pátio ou nos corredores da escola. Preso num hotel de Buenos Aires, em 1976, acredita-se que tenha sido jogado vivo de um avião sobre o Oceano Atlântico pelas forças de repressão argentinas.

 Luiz Eurico, irmão de Nei Lisboa, com Suzana em frente ao cartório em que se casaram, localizado junto aos bares da Esquina Maldita, reduto boêmio da juventude porto-alegrense na década de 1960 (Acervo pessoal com reprodução de Tânia Meinerz)

Luiz Eurico, irmão de Nei Lisboa, com Suzana em frente ao cartório em que se casaram, localizado junto aos bares da Esquina Maldita, reduto boêmio da juventude porto-alegrense na década de 1960 (Acervo pessoal com reprodução de Tânia Meinerz)

Nesse cenário de efervescência ideológica, Emílio Chagas era “franja” – militante periférico, afastado do centro do poder de decisão – da AP (Ação Popular), organização que se originou no seio de uma juventude católica radicalizada e, com o tempo, ganhou a adesão de tendências marxistas, incluindo grupos de linha maoista.

Desde o grande racha do Partidão, como era chamado o Partido Comunista Brasileiro, em meados da década de 1960, a esquerda brasileira havia se fragmentado numa multiplicidade de facções.

Em Porto Alegre, a AP repartia o predomínio no meio estudantil com o POC (Partido Operário Comunista) – junção da Dissidência do RS (grupo de ativistas que tinha se desligado do Partidão) com a Polop (Política Operária) de SP.

No ambiente árduo da disputa política, especialmente diante de um adversário truculento como o regime militar brasileiro implantado em 1964, Emílio não era visto com bons olhos para atuar na linha de frente de combate.

– Achavam que eu me deixava influenciar pela metafísica, conta ele.

Leitor voraz do filósofo existencialista francês Jean-Paul Sartre e do escritor americano F. Scott Fitzgerald, o rapaz ganhou a tarefa de fazer a cabeça dos colegas de sala de aula.

Na hora do recreio, andava com livros de Marx, Brecht e Plínio Marcos embaixo do braço para mostrar trechos destacados aos estudantes que se dispunham a escutá-lo ao pé do ouvido.

– Sabia que tem uma ditadura no Brasil?, provocava ele, para início de conversa.

Entre os colegas que foram “catequizados” por Emílio, está Licínio Azevedo, radicado desde 1975 em Moçambique e considerado atualmente um dos principais cineastas da África – Comboio de Sal e Açúcar, uma história de amor que se passa em plena guerra civil moçambicana, tem exibição agendada para 4 de junho, na Cinemateca Capitólio.

– Era um menino bem arrumadinho, que pretendia ser advogado. Demorou um ano para eu trazê-lo para o nosso lado, relembra Emílio.

Carcaças de fuzis

Além de conquistar almas, Emílio Chagas fazia panfletagem e pichação de muros. Ajudava a organizar passeatas e participava dos cordões de segurança que se formavam ao redor de líderes da AP durante as manifestações de rua.

As atividades abrangiam também as ações do MCJ (Movimento Cultural Juliano), ideia do colega de aula Juarez Porto, jornalista, poeta e artista plástico, que se casaria depois com a cantora paulista Cida Moreira.

Os alunos faziam rodas de violão, nas quais pontuavam as canções engajadas de compositores como Geraldo Vandré, Sérgio Ricardo, Chico Buarque e Edu Lobo.

O MCJ promovia trocas de livros, muitos dos quais tiveram que ser depois queimados ou enterrados numa chácara perto de Taquara, quando a repressão ganhou ainda mais intensidade.

Emílio ainda ajudava a divulgar as peças do Teatro de Arena, núcleo da arte de protesto em Porto Alegre na década de 1960, liderado por Jairo de Andrade.

Em 1968, ao encenar Os Fuzis da Senhora Carrar, de Brecht, cuja ação se passa em meio à guerra civil espanhola, o Teatro de Arena foi invadido por tropas do Exército, de metralhadora em punho.

Jairo de Andrade foi preso e torturado para que confessasse a origem das armas utilizadas no espetáculo – na realidade, inocentes carcaças de fuzis, que haviam sido emprestadas pela Brigada Militar.

 Rua de Paris tomada por manifestantes em maio de 1968 

Rua de Paris tomada por manifestantes em maio de 1968 

Um piquenique na Redenção

Em maio de 1968, Raul Pont estudava Economia na UFRGS, ao mesmo tempo em que trabalhava no IPE (Instituto de Previdência do Estado).

Militava no recém-criado POC – a organização havia sido fundada um mês antes. Em tempo: há duas semanas, onze dos fundadores lançaram o livro 1968/2018 – 50 anos do POC, organizado por Raul.

Em geral, as reuniões do POC na UFRGS se realizavam no Antônio, bar do diretório acadêmico da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.

Uma conversa em voz baixa e entrecortada por olhares vigilantes, afinal, havia sempre a possibilidade de um informante da polícia estar por perto.

Quando a suspeita ganhava contornos de convicção, os jovens saíam a caminhar pelo Parque da Redenção. Para não dar na vista, improvisavam piqueniques na grama ou simplesmente faziam de conta que tomavam banho de sol, enquanto davam continuidade à reunião.

Na memória de Raul, as recordações das prisões esporádicas daquele período estão dispersas na folhinha do tempo.

No Brasil, as passeatas – entre elas, a dos 100 mil na Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, em 26 de junho – não refletiam só os protestos globais. Respondiam também à morte do secundarista Edson Luís de Lima Souto durante a invasão do restaurante estudantil Calabouço pela Polícia Militar do RJ, em 28 de março.

Provavelmente em junho de 1968, após ser detido nas proximidades do Mercado Público de Porto Alegre, Raul passou a noite num porão do quartel da Brigada Militar na Praia de Belas.

Ao prestar depoimento ao escrivão policial, esquivou-se de qualquer acusação:

– Disse a ele que não fazia parte da passeata, apenas aguardava o ônibus da Linha 37.

O álibi estava na ponta da língua: Raul postava-se quase todo o dia numa parada do Mercado para pegar o ônibus São Manoel a fim de treinar no ginásio da Federação dos Estudantes, na esquina da Ipiranga com a Ramiro Barcelos, no terreno em que, atualmente, situa-se o Planetário da UFRGS.

Na época, o grandalhão jogava basquete com a camisa do Esporte Clube Cruzeiro.

A conquista da guarita

Para não apanhar da polícia, os estudantes faziam comícios relâmpagos.

Pequenos pelotões de cinco ou seis ativistas surgiam de surpresa em pontos de grande fluxo de pessoas no Centro da cidade, como a antiga Estação Rodoviária, na esquina da Rua da Conceição com a Júlio de Castilhos, ao cair da tarde.

Naquele tempo, os ônibus estacionavam de bico junto à calçada para o embarque dos passageiros.

Um dos manifestantes subia num banco para discursar durante cinco minutos, enquanto os demais distribuíam panfletos.

Antes da chegada dos policiais, os militantes sumiam no meio da multidão, para se reagrupar em outra esquina movimentada, como a da Borges de Medeiros com a Riachuelo.

Ali, um guarda de trânsito metido numa guarita controlava a sinaleira para a passagem de bondes, ônibus e automóveis.

Certa vez, os universitários tomaram a guarita, sem que o guarda oferecesse resistência. Um deles correu até a frente da Casa Touro, popular ponto de comércio que vendia pão, frios e fiambres, para improvisar mais um discurso contra a ditadura.

Em outubro de 1968, Raul seria eleito presidente do DCE-Livre da UFRGS.

Ainda naquele mês, acabaria preso ao participar do Congresso da UNE (entidade que havia sido proscrita pelo governo militar), na Fazenda Mucuru, perto da Cachoeira da Fumaça, no município de Ibiúna, interior de SP.

Entre os cerca de mil estudantes capturados, estavam lideranças mais visadas pela repressão política, como José Dirceu e Vladimir Palmeira, que só sairiam da cadeia em setembro de 1969, em troca do embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, sequestrado pelo MR-8 e a Ação Libertadora Nacional no Rio de Janeiro.

Daquela vez, em Ibiúna, Raul ficou “só” dez dias no xadrez. Na volta a Porto Alegre, perdeu o emprego no IPE, mas o pior ainda estava por vir.

No início de 1970, se mudou para São Paulo por medida de segurança.

Não adiantou muito. Preso mais uma vez em 1971, na capital paulista, Raul foi transferido para o Sul e passou todo o ano de 1972 na Ilha do Presídio, masmorra isolada no meio do Guaíba, junto com outros perseguidos pela ditadura militar.

 "É proibido proibir": uma das frases pichadas nos muros de Paris, assim como "A imaginação ao poder" e “Sejam realistas, exijam o impossível!”

"É proibido proibir": uma das frases pichadas nos muros de Paris, assim como "A imaginação ao poder" e “Sejam realistas, exijam o impossível!”

Ecos de Paris em chamas

O impacto da ebulição política e cultural de Paris, em maio de 1968, sacudiu o DAD (Departamento de Arte Dramática), escola de teatro da UFRGS, graças às cartas enviadas aos colegas e professores pelo aluno de direção teatral Luiz Arthur Nunes.

Ele havia recebido uma bolsa da Aliança Francesa para estudar Literatura na cidade-luz por um ano.

Além de assistir às peças experimentais e performáticas do Living Theather – fundado pelo pintor Julian Beck e a atriz Judith Malina, em Nova York, em 1947 –, Luiz Arthur garimpou nas livrarias parisienses as obras completas do poeta, escritor, ator e diretor teatral Antonin Artaud (1896/1948), o criador do Teatro da Crueldade.

– A contemplação daquela exigência radical de utopia e poesia detonou uma revolução pessoal e estética, dando um giro de 180 graus em minhas concepções teatrais, conta Luiz Arthur, radicado desde os anos 1980 no Rio de Janeiro, onde se transformou num dos mais conceituados diretores de teatro do País, além de lecionar na UNI-RIO e na UFRJ.

Não bastasse o choque estético, o estudante do DAD se viu entre as barricadas dos protestos de rua na capital francesa.

Como testemunha ocular da História, Luiz Arthur enviava cartas para colegas e professores do DAD, que eram lidas com alvoroço em rodas coletivas e depois passadas de mão em mão.

Além das cartas, mandou também pelo correio calhamaços de anotações e propostas de novos trabalhos, embebidos da atmosfera que vivenciava em Paris.

Um deles, Luiz Arthur montou logo depois de retornar para Porto Alegre – Homem: Variações Sobre o Tema, encenado no saguão da Reitoria da UFRGS.

O cenário ficou pronto no dia da estreia, às sete horas da manhã. Eram paredes de plástico branco, afixadas com percevejos que “furaram as ricas e expressivas mãozinhas” dos jovens atores, segundo a atriz Nara Keiserman, que fazia ali sua estreia no teatro.

 Luiz Arthur e Suzana Saldanha: ousadia e experimentação cênica no Grupo Província

Luiz Arthur e Suzana Saldanha: ousadia e experimentação cênica no Grupo Província

O público adentrava o ambiente por um túnel acolchoado, que conduzia até uma bolha de plástico, a qual “envelopava” os espectadores.

O que dizer da linguagem da peça? Tratava-se de um teatro ritual, poético, corporal, com um encantamento sensorial e estético até então desconhecido da plateia gaúcha.

Num certo momento, os atores tocavam nos espectadores, “não com intenção de confronto, e sim numa tentativa de envolvimento”, esclarece Luiz Arthur.

Temia-se a rejeição, mas foi um grande sucesso de público e crítica.

Suzana Saldanha fazia parte do elenco da peça de Luiz Arthur na Reitoria da UFRGS.

Até cursar a faculdade de teatro, ela levava uma vida que hoje define como “caretésima”.

Moradora do edifício Banco do Brasil, na esquina das avenidas Farrapos e São Pedro, era uma moça bastante ativa na comunidade que orbitava em torno da Igreja São Geraldo.

Além de trabalhar como alfabetizadora no Colégio Anchieta, dava aulas de religião para as crianças do colégio Santa Família, na Vila Farrapos.

Tudo mudou quando ela ingressou no DAD no final da década de 1960.

– No teatro, achei minha tribo e meus iguais, diz ela.

Em 1970, junto com Luiz Arthur, Maria Helena Lopes, Carlos Carvalho e Graça Nunes, entre outros, Suzana fundaria o Grupo de Teatro Província, marco de ousadia e experimentação nos palcos da capital do RS.

Mais que uma revolução estética, a integração ao DAD representou a conquista de um espaço de liberdade.

– Na faculdade, descobri a palavra “escolha”, avalia Suzana.

Chá de pera

Reflexo de uma transformação que se espalhava pelo planeta, para a qual contribuiu não apenas os ideais libertários de maio de 1968, mas também o surgimento da pílula anticoncepcional, uma parcela de mulheres jovens começou a adotar novos padrões de comportamento em Porto Alegre.

Até ali, as moças de classe média não tinham autorização dos pais, por exemplo, para ir ao cinema com os namorados sem a presença de um “chá de pera” – companhias, geralmente irmãs ou primas mais novas, encarregadas de criar algum constrangimento para o casal mais afoito na hora de extravasar seus impulsos.

Mulheres em bares noturnos desacompanhadas de uma figura masculina, então, nem pensar, a menos que estivessem dispostas a ouvir severas reprimendas de ordem moral.

– Existe um corte epistemológico, vertical e profundo, entre as experiências de vida das mulheres de minha geração e as de nossas mães e irmãs mais velhas, afiança Suzana Saldanha.

Boa parte da trajetória dessa geração de mulheres pioneiras está relatada no “espetáculo de autoficção” Eu e Nós, que Suzana reestreia em junho, na Sala de Música do Multipalco do Theatro São Pedro.

Além da liberdade sexual, a independência financeira passou a representar uma prioridade para as mulheres, complementa a socióloga e professora aposentada da URFGS Maria da Graça Bulhões, que também se espelhou no ideário de maio de 1968 para construir sua vida.

– Aquele momento histórico propiciou uma revisão ampla, geral e irrestrita das relações humanas, resume Graça. Em seguida, ela acrescenta: – Revisamos todas as relações de autoridade: na família, nos casais, na escola e no País.

 Mulheres participam dos protestos em igualdade de condições com os homens na capital francesa

Mulheres participam dos protestos em igualdade de condições com os homens na capital francesa

Nova consciência

Em dezembro de 1968, com a edição do AI-5, o cerco da repressão asfixiou os núcleos de rebeldia e o País mergulhou num período de obscuridade.

A partir daí, a oposição ao regime militar passou a representar – literalmente e mais do que nunca – um risco de vida. Nesta encruzilhada, havia que decidir entre encarar a aventura da luta armada ou recolher a militância.

Ao mesmo tempo, com a repercussão do Festival de Woodstock, em agosto de 1969, além da liberdade sexual, outros temas afeitos à onda hippie, como o uso de drogas e a bandeira pacifista contra a Guerra do Vietnã, ganharam protagonismo ao lado da defesa da ecologia e da luta contra o racismo.

Pronto: estava definida a pauta política e comportamental dos novos tempos, condensada em obras como Nova Consciência, de Luiz Carlos Maciel, principal representante da contracultura no Brasil.

É verdade que, antes disso, alguns indícios da nova era já se faziam presentes, como as marchas pelos direitos civis lideradas em Washington por Martin Luther King, em 1963, bem como o Verão do Amor em São Francisco, em 1967, sem falar na fase psicodélica dos Beatles e em filmes como os de Godard, mas naquela época as informações demoravam a chegar ao Sul do Brasil. 

– Só quem estava muito antenado via o que estava acontecendo, observa Emílio Chagas, jornalista que hoje edita o Jornal do Mercado Público, entre outras publicações, na capital gaúcha. 

Cabe registrar que as mudanças de padrões de comportamento se deram ao largo e, muitas vezes, apesar da resistência da militância de esquerda.

Naquele tempo, fumar maconha ou tomar um LSD consistia num ato proibido para o ativista, até mesmo por questões de segurança – em caso de prisão por posse de drogas, ele poderia entregar os companheiros.

Fora isso, a experiência de alterar a consciência com substâncias alucinógenas era vista como um espasmo de alienação pequeno-burguesa. Paradoxalmente, não havia restrições ao álcool.

Até mesmo usar calça jeans se constituía num pecado mortal – certamente, o militante seria acusado de aderir à moda imperialista. Igualmente, apreciar os requebres do rock and roll ou, pior, admitir o uso da guitarra elétrica no cancioneiro nacional representava uma traição à pátria.

Seja como for, não havia mais como retroceder.

O caldo cultural que impactou o planeta em maio de 1968, e que se espalhou por Porto Alegre a partir dos círculos de arte e cultura, do ambiente universitário e de guetos boêmios como a Esquina Maldita – na junção da Avenida Osvaldo Aranha com a Rua Sarmento Leite, a poucos metros do campus central da UFRGS –, ganharia força e consistência ao longo dos anos subsequentes.

– Vamos convir que os anos 1970 foram também extremamente revolucionários. Na verdade, maturaram e consolidaram as grandes conquistas da década anterior, conclui Emílio.

 Emílio Chagas, em 2018: fidelidade aos princípios defendidos 50 anos atrás (Foto Arquivo Pessoal)

Emílio Chagas, em 2018: fidelidade aos princípios defendidos 50 anos atrás (Foto Arquivo Pessoal)