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Cultura em alta na Cidade Baixa

Fazia tempo que o bairro mais boêmio de Porto Alegre merecia ganhar um centro cultural.

Hoje, quem passar em frente ao número 296 da Rua José do Patrocínio já vai observar o nome Centro Cultural Cidade Baixa escrito na fachada do sobrado. Mas, por enquanto, a casa opera prioritariamente como bar. Assim que a pandemia da covid-19 for superada, deverá abrigar espetáculos de música e teatro, exposições de artes visuais e mostras de filmes, além de ensaios, rodas de conversa, palestras, cursos e oficinas. No pátio externo, a intenção é promover feiras de brechó e artesanato.

— A ideia é resgatar as ações culturais que foram perdidas nos últimos tempos não só por conta da covid-19, mas também pela posição do atual governo brasileiro de desestimular a produção de cultura no País — diz o analista de sistemas Lídio Hermínio Freitas Jr., um dos idealizadores do projeto.

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Sob nova direção

O mais antigo bar em atividade na Rua João Alfredo está sob nova direção.

Em março de 2003, o Paraphernália entrou em cena como um dos protagonistas da retomada boêmia do bairro, que teria também a participação de estabelecimentos como Nega Frida, Pé Palito e 512, entre outros, ao longo da primeira década do século XXI.

O Paraphernália está passando por reformas, com adaptações na cozinha, troca de azulejos e limpeza de coifas, entre outros ajustes, para reabrir em julho em sintonia com as medidas de restrição impostas pela legislação devido à pandemia da Covid-19. As mudanças não se limitam à estrutura física do boteco:

— Vou mudar o perfil do bar, como já anunciei nas redes sociais. A repercussão da novidade está sendo excelente — relata o produtor cultural Julio Ricardo Rodenstein, que arrendou a casa noturna pelos próximos cinco anos.

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SOS CB

O Hackatown – literalmente, hackear uma cidade –, é um vento que cria espaço e oportunidade para que as comunidades locais discutam seus problemas e apontem soluções que, de preferência, possam ser fácil e rapidamente aplicadas, sem depender do aporte de grandes recursos ou da ajuda de governos.

– A comunidade em questão pode ser uma cidade, um bairro, uma universidade ou uma organização, explica Rafael Perez, o Rafinha, de 25 anos, fundador do Hackatown.

Já houve um Hackatown sobre os problemas do bairro Floresta, no Quarto Distrito, outro a respeito das dificuldades do município de Caxias do Sul e um terceiro circunscrito aos desafios do curso de Administração de Empresas, da UFRGS.

Neste fim de semana, é a vez do Hackatown da Cidade Baixa (ou CB, para os íntimos), o coração boêmio de Porto Alegre, localizado entre o Centro Histórico e o maior parque da cidade, a Redenção.

Palco de muitas festas e iniciativas culturais, a CB é também um bairro residencial e comercial, o que gera constantes conflitos e reclamações vindos de todas as partes envolvidas.

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Jekyll à solta

Após marcar época com o bar Dr. Jekyll, na Cidade Baixa, os gêmeos César e Paulo Audi transformam café em ponto de encontro no Centro Histórico e preparam nova incursão na cena noturna.

Os donos do Cine Café, abrigado na Travessa dos Cataventos – corredor de paralelepípedo que divide as duas alas do prédio da Casa de Cultura Mario Quintana, ligando a Rua da Praia à Sete de Setembro –, são os irmãos gêmeos César e Paulo Audi, de 56 anos,

Antes de abrir o ponto na Casa de Cultura, os gêmeos ficaram conhecidos pela concepção de alguns dos mais emblemáticos bares noturnos de Porto Alegre das últimas décadas, especialmente o Dr. Jekyll, fundado em 1996 na Travessa do Carmo, junto ao Largo da Epatur.

O nome do bar era inspirado no filme O Médico e o Monstro, clássico de horror dirigido por Victor Fleming em 1940, com Spencer Tracy, Ingrid Bergman e Lana Turner.

Na trama baseada no livro O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson, publicado em 1886, um médico de bons modos – para demonstrar a teoria de que o bem e o mal coabitam o coração humano – inventa uma porção capaz de trazer à tona o lado demoníaco de cada pessoa.

Ao experimentar ele próprio a fórmula química, algo dá errado e o cientista perde o controle de sua personalidade oculta (Hyde é um trocadilho com o verbo hide, que significa esconder, ocultar).

O conceito da casa noturna dos Audi flertava com os paradigmas do conto de horror:

– O pessoal entrava de um jeito e saía de outro. A bebida alcoólica é também uma porção que faz brotar o lado oculto das pessoas, diz Paulo.

Mas, no caso do Dr. Jekyll da Cidade Baixa, as transformações eram para o lado do bem. As alterações de personalidade faziam, por exemplo, com que as distinções de raça, credo e status social ficassem do lado de fora.

– Não havia frescura em relação à roupa que a pessoa estava usando ou à classe social a que ela pertencia. Os clientes tiravam as máscaras quando entravam no bar, observa César.

Cientistas malucos à parte, o Dr. Jekyll era como se fosse “a sala estar de uma grande família”, compara Paulo, por causa da descontração e da simplicidade que predominavam no ambiente. A tal ponto que, com tanto Mr. Hyde à solta no salão, nunca houve uma briga lá dentro.

– Mais parecia um clube do que um bar. A turma tinha até caderninho para anotar as despesas e pagar no fim do mês, assinala César.

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