RUA DA MARGEM

 

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FOTOS DE FERNANDA CHEMALE

Cosmopolita é o local onde qualquer um pode chegar, a qualquer momento, e ficar quanto tempo quiser, sem ser olhado como se fosse um elefante cor de rosa. Ao contrário, se a pessoa é olhada com estranheza por causa de idade, sexo ou cor, estamos na aldeia.

Sandra Pesavento (1945–2009), pioneira nos estudos de História Cultural no Rio Grande do Sul.


Rua da Margem se inspira em modelos de convivência identificados com a história e a cena contemporânea da Cidade Baixa para falar de personagens, espaços, projetos e iniciativas que encantam e contribuem para transformar Porto Alegre num lugar mais saudável e prazeroso de se viver.

Ações solidárias, negócios criativos, boas causas, pessoas do bem, roteiros a pé, mobilidade urbana, diversidade, meio ambiente, tendências da moda, empreendedorismo, ações e ideias que geram um sentimento de orgulho dos porto-alegrenses em relação ao lugar onde vivem.

Por que Rua da Margem?

Muito antes de abrigar tribos urbanas no cenário colorido de ruas e bares da Cidade Baixa, a Rua João Alfredo tinha outro nome – Rua da Margem.

A Rua da Margem acompanhava o traçado sinuoso do Dilúvio, um arroio de curvas acentuadas que, depois de idas e vindas, desaguava no Guaíba pouco adiante da Ponte de Pedra. A rua que margeava o riacho acolheu historicamente gente excluída da sociedade, notadamente escravos e seus descendentes, que nela inscreveram seus hábitos e rituais – o gosto pelas festas de rua, a cantoria dos botequins, as cadeiras nas calçadas, modelos de uma convivência próxima e fraterna, independente de idade, sexo ou cor.

Hoje, a Rua da Margem sobrevive na memória e na imaginação dos porto-alegrenses como símbolo de uma cidade mais humana, tolerante e inclusiva, que subsiste oculta na paisagem urbana como um arroio submerso em galerias subterrâneas.

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As imagens que ilustram o texto fazem parte da instalação A Rua Suspensa, de Fernanda Chemale, com as fachadas das casas e os moradores da Travessa dos Venezianos, rua pequena e estreita aberta no início do século 20 na Cidade Baixa, em Porto Alegre. As fotografias estavam suspensas em linhas paralelas, representando as duas calçadas, para que o espectador pudesse transitar entre elas. A instalação integrou a exposição coletiva Travessa dos Venezianos – Construção no Tempo, com curadoria de Zorávia Bettiol, tendo sido originalmente concebida para as comemorações dos 70 anos da Associação Chico Lisboa, onde foi exibida em 2008. Algum tempo depois, ocupou o IEAVi (Instituto Estadual de Artes Visuais) na Casa de Cultura Mario Quintana.